A história dos pais!  
     
     
 
 

Pai do Miguel

Quando minha esposa descobriu que estava grávida fiquei muito feliz. Queria muito ter este filho, tive que insistir mito até convencer minha esposa a engravidar. Ele era meu sonho, sempre sonhei em ser pai.
Quando descobri sobre a anencefalia minha vida desmoronou, porque como todo pai eu tinha sonhos, só que não podia demonstrar fraqueza porque a Karine estava muito abalada. Os medico falaram que ela tinha que interromper a gestação, eu não quis opinar queria deixar ela escolher, mas eu queria que ela escolhesse ficar com ele.durante o tempo todo tive que recuperar forças com pessoas que eu não imaginava, pessoas que estavam mais perto do que aqueles que eu pensava ser meus amigos.



Mesmo sabendo do probleminha dele eu tinha fé que poderia acontecer um milagre, ele se recuperaria e eu mostraria para muitas pessoas que duvidaram da nossa fé, que milagres existem.
Más eu não me importo, porque eu sei que de alguma maneira o milagre aconteceu, e ele esta no céu olhando por nós.

Quando o miguel nasceu era e sempre será o bebe mais lindo da maternidade. Na sala de parto eu estava com muito medo de acontecer alguma coisa com a minha esposa, ou de não poder ver o miguel vivo. Fiquei muito feliz de poder ter pego ele no meu colo, e mesmo por reflexo, ter visto ele sorrir.Valeu muito ter prosseguido com a gestação normal, sempre curtindo o hoje e não o que poderia acontecer amanha.

Quando vi ele na primeira vez lá na incubadora depois do parto senti uma grande alegria no meu coração, porque ele estava ali vivo. E ele tinha um pé grandão assim igual o meu, e os dedinhos igual o meu.
Daí fui ver a Karine no quarto, fiquei com medo , porque ela estava muito ansiosa pra ver o Miguel e eu não sabia se ia dar tempo dela pegar ele no colo, porque era o que ela mais queria.

Quando ela foi comigo na UTI ela chorou muito, meus sogros e meus pais também viram ele. Ele era muito rosado e grandão.

Ela estava num quarto coletivo, então não queriam deixar eu passar a noite lá, eu desci na recepção e deitei la nos sofá, a enfermeira chefe de plantão pediu para colocarem ela num quarto reservado e me colocaram junto com ela. De madrugada fomos ver ele denovo, ela pediu para pegar ele um pouco, fiquei feliz com isso, mas ela começou a chorar e pediu paraque passem ele de volta, ela estava com medo que ele morresse no colo dela. Ficamos lá mais de horas olhando pra ele, eu de um lado da incubadora e ela do outro, passando a mãozinha sobre o corpinho dele. Vendo ele dormir como um anjo.de manha voltamos de novo lá insistimos tanto e uma enfermeira amiga da karine conseguiu fazer com que deixassem tirar fotos, mais tinha que ser escondido, fechamos a cortina, a Karine pegou o miguelzinho no colo e tiramos muitas fotos dele, nos divertimos com os sonzinhos que ele fazia com a boca, ele estava no meu colo, era muito bom.Meu miguelito. Foram as horas mais emocionantes da minha vida.



No velório eu fiqui muito triste por que ia ter que continuar minha vida sem ele. Mas eu sinto uma saudade boa dentro do meu coração. E fico feliz de ver a karine tão em paz e tranqüila com ela esta. O velório seria feito com o caichãozinho fechado, mas a moça do funeral disse que ele estava muito lindo parecendo um anjo, disse que ele estava sorrindo, então fizemos com o caixãozinho aberto, pena que não se tira foto em velório, porque vocês tinham que ver, ele estava sorrindo, parecia um boneco, esses que tem no shoping. Carreguei ele até o local que iria ser enterrado, fui bem devagarzinho...não queria que o local chegasse. Tinha uma multidão de gente atraz de mim...mais de cem pessoas.Foi triste, mas isso não impediu de ser especial.

Ser pai não foi como eu sonhei, mas fez eu me senti o cara mais realizado do mundo.

Sabia que não ia mais poder carregar ele em meus braços, mas apartir deste momento vou sempre carrega-lo em meu coração e nas minhas lembranças.

Eu sou o pai do Miguel.

Thiago pai do Miguel, bebê com Anencefalia.